Canas de Senhorim, terra antiga e fidalga da Beira Alta, é uma pequena vila com pelourinho, casas de granito e ruelas estreitas. Situada num extenso planalto, entre as serras da Estrela e do Caramulo, em plena região demarcada do Dão, a vila não parece ter mudado muito com o tempo. a solar, conhecido pelo nome de família, Abreu Madeira, fica num largo em frente às antigas cavalariças. A fachada do solar, em estilo neoclássico, prolonga-se em comprimento até acabar, de um lado, num bonito torreão barroco e, do outro, numa pequena capela. Ao longe, os picos mais altos da serra da Estrela parecem vigiar os vastos arvoredos, pomares e vinhas que se estendem ao longo de uma centena de hectares em frente do solar.
Ao entrar, sente-se a atmosfera típica das velhas casas que transpiram memórias e uma estreita ligação com o campo. De cada lado do átrio de entrada, duas bonitas caleches parecem dar as boas-vindas. A direita, um longo corredor dá acesso à capela e aos quartos, bonitos e confortáveis. Do lado esquerdo da entrada, uma simpática e espaçosa sala com mesa de jogo, bilhar e ténis de mesa proporciona noites animadas a quem não consegue ficar quieto. Dois lanços de escadas em granito, imponentes, dão acesso ao andar superior onde ficam as salas de estar e a casa de jantar.
O vinho continua a ser a produção por excelência desta quinta, situada na zona demarcada do Dão e onde há muito se produz um vinho de excelente qualidade. Nas manhãs de sol toma-se um delicioso pequeno-almoço no terraço em frente à piscina. Os campos e árvores de fruto estendem-se a perder de vista.. A paz e a pacatez reinam em Canas de Senhorim.
HISTORIA DESTE SOLAR:
Há dois tipos de casas: aquelas, tamanho de catálogo, prontas a usar; e as outras, começadas a partir de dentro, isto é, de quem as habita, de quem as sonhou, para quem foram necessidade e fruição. As primeiras caem em desuso, passam de moda. As outras ganham alma, reflectem as vicissitudes de quem nelas vive, adquirem uma memória, uma identidade própria.
No lugar onde hoje existe o Solar Abreu Madeira, havia uma outra, mais pequena - a Casa da Fonte, que possuia uma Capela dedicada à Senhora da Boa Morte. Esta casa pertencia ao irmão da bisavó do actual proprietário, aliás como pertenciam igualmente quatro outras casas agrícolas próximas.
Num tempo onde, por razões patrimoniais, os filhos varões herdavam os morgadios, e às filhas era dado um dote para arranjarem marido, foi a morte, relativamente prematura, do primogénito (solteiro e sem descendentes), que permitiu à irmã tornar-se uma herdeira rica emuito pretendida. O casamento, contraído com o fidalgo que a tinha pretendido ante de ser rica, tornou necessária uma casa maior.
Estava-se em 1838. Da Casa do Cruzeiro - também pertença da família, veio a capela setecentista, dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Ainda hoje as duas imagens partilham as honras do altar...
Traduzindo o gosto da época, o Solar alia o estilo neo-clássico do frontão, com o neo-barroco do torreão e da Capela. Contudo os traços de grande casa rural estão lá bem patentes.
A agricultura e a pecuária, têm sido desde sempre as actividades produtivas. Os tempos têm mudado: hoje os cavalos já não vêm da Golegã; foram substituidos pelos tractores, mas as coches lá estão, quais peças de museu... O vinho do Dão e o queijo da Serra, verdadeiros ex-libris da casa, esses continuam iguais a si mesmos - irresistíveis.
MEMORIAS DAS INVASOES FRANCESAS:
Em 1810, aquando da terceira invasão napoleónica, os franceses espalharam o pânico, pilhando, roubando, destruindo tudo à sua passagem. Ao grito "Vêm aí os franceses!", as pessoas fugiram, levando consigo o que podiam, escondendo o que tinha mais valor. Objectos em prata e uma colcha Indo-Portuguesa (atestando um passado de prováveis viajantes pelo Oriente), foram enterrados na quinta, para escapar à sofreguidão dos franceses. Também os bacamartes são testemunhas silenciosas desse tempo...
O Solar Abreu Madeira, construido no século XVIII, fica situado em plena Beira Alta, numa aldeia chamada Canas de Senhorim. Possui uma capela do século anterior dedicada à Senhora da Boa Morte que pertencia a uma outra casa mais pequena, a Casa da Fonte, existente no local onde hoje se encontra a casa Abreu Madeira.
Outrora, por razões patrimoniais, os filhos varões herdavam morgadios e às filhas era atribuido um dote para um casamento futuro. Porém, a morte relativamente prematura do primogénito (solteiro e sem descendentes) permitiu à irmã receber a herança. Mais tarde, a herdeira ao contrair casamento com um fidalgo originou a que se tornasse imprescindível uma casa maior. Deste modo, e em 1838, transferiram da Casa do Cruzeiro (também pertença da família) uma capela setecentista, dedicada à Nossa Senhora da Conceição. Ainda hoje as duas imagens partilham das honras do altar.
A casa Abreu Madeira traduz o gosto da época, aliando o estilo neoclássico do frontão com o neo-barroco do torreão e da Capela. Contudo, os traços característicos de grande casa rural estão bem patentes.
Relacionadas com este magnífico solar estão algumas memórias das invasões francesas. Deste modo, e em 1810, altura da terceira invasão napoleónica, os franceses espalharam o pânico, roubando e destruindo tudo à sua passagem. ao grito " Vêm aí os franceses", as pessoas fugiam levando consigo tudo o que conseguiam transportar, escondendo os objectos mais valiosos. Objectos em prata e uma colcha Indo- Portuguesa (atestando um passado de prováveis viajantes pelo Oriente) foram enterrados na quinta, escapando à sofreguidão dos franceses.
A agricultura e a pecuária, que têm sido desde sempre as actividades produtivas, mudaram com os tempos: hoje os cavalos já não vêm da Golegã pois foram substituídos pelos tractores, mas as caleches ainda existem no solar Abreu Madeira, como se fossem verdadeiras peças de um museu. O vinho do Dão e o queijo da Serra são os ex-libris deste solar do século XVIII, conservado na sua traça exterior, no seu recheio e nas suas actividades.
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